Casa de recuperação feminina será inaugurada em Divinópolis

Começa a funcionar nesta segunda-feira (31) a primeira casa de recuperação feminina do interior de Minas Gerais, em Divinópolis. A casa funcionará de forma permanente na antiga Escola Municipal Joaquim Rodrigues, na comunidade do Cacoco de Baixo, e atenderá adolescentes de 12 a 17 anos. Segundo o coordenador da casa, Matheus Dias, o tratamento pode durar de seis meses a um ano.

Inicialmente o local terá 24 vagas e, segundo o coordenador da entidade, 12 meninas já passaram pela fase de inscrição. A partir do início da semana que vem, elas devem ser acolhidas para uma entrevista inicial. "Primeiramente solicitamos aos parentes exames, documentos e um enxoval para a internação. Depois disso, marcamos a primeira entrevista. É fundamental que as meninas queiram ser tratadas, portanto elas precisam vir de livre e espontânea vontade", esclareceu o coordenador.

O presidente da entidade, Eduardo Rivelly, ressaltou os desafios de fundar uma casa para meninas, mas acrescentou que há uma equipe especializada e preparada para recebê-las. “Será um desafio não só por se tratar de menores, mas também de meninas que têm um temperamento e personalidade específico e o cuidado tem que ser maior”, comentou.

Atividades diárias
Durante o tempo de internação, que pode durar de seis meses a um ano, as meninas realizam atividades diárias, como limpeza do local, oficinas de costura, teatro, aulas de computação e, de acordo com o coordenador, a equipe técnica faz o acompanhamento e avalia todas as ações das adolescentes para diagnosticar o tipo de tratamento. "As meninas são avaliadas pela equipe, que é composta de um psicólogo, um assistente social e um terapeuta ocupacional. Feito isso, serão realizadas semanalmente reuniões. Cada caso será discutido isoladamente", explicou o coordenador Matheus Dias.

Para o promotor da Vara da Infância e Juventude de Divinópolis, Carlos José e Silva Fortes, a inauguração da casa será um marco para a cidade. "Sempre digo isto: as crianças e adolescentes devem ser prioridade absoluta, e esta casa vai de encontro com estas questões prioritárias. Mais importante ainda é o fato de existirem pouquíssimas casas de recuperação no Brasil. Que bom que estamos dando este passo", afirmou o promotor.

De acordo com o presidente do Conselho Municipal Antidrogas, Luiz Gonzaga Militão, a escola onde funcionará a casa de recuperação foi desativada em dezembro e o espaço atenderá as necessidades da instituição terapêutica. "Começamos a sonhar que Divinópolis pudesse fazer parte da rede de acolhimento antidrogas e agora o sonho se tornou realidade. Sem dúvidas, o espaço é muito bom para esse novo desafio", afirmou

Internação
Segundo coordenador, Matheus Dias, a internação é dividida em três fases, que foram denominadas pelas cores verde, vermelho e amarelo. "É como se fosse um sinal de trânsito e todas essas fases têm tempo para acabar, e isso é apontado na avaliação de cada uma das meninas", disse.

A fase vermelha diz respeito à aceitação do processo. "A menina internada precisa entender que precisa de ajuda", afirmou. A fase amarela é de autoconhecimento, onde será preciso saber como foi a iniciação no uso de drogas. E por fim a fase vermelha, onde a adolescente internada é preparada para sair da casa. "Trata-se se uma fase de ressocialização, onde a família também é preparada para receber novamente a pessoa", finalizou Matheus.

Os interessados em ajudar a casa com doações ou como colaboradores voluntários em oficinas, podem entrar em contato pelo telefone (37) 3212-8557.


Anna Lúcia Silva
Do G1 Centro-Oeste de Minas

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