Médicos entram em greve por tempo indeterminado em Formiga

Decisão foi tomada após assembleia nesta quinta-feira (20).
Médicos recusaram proposta de reajuste salarial de 50%.

Após assembleia realizada nesta quinta-feira (20), na sede do Sindicato dos Trabalhadores Municipais de Formiga (Sintranfor), os médicos que atendem pelo Programa Saúde da Família (PSF) e que reivindicavam aumento salarial e melhores condições de trabalho, entraram em greve por tempo indeterminado. De acordo com o presidente do Sintramfor, Natanael Alves Gonzaga, a classe cumprirá duas horas e 24 minutos de trabalho por dia, o que representa 33% da carga horária normal. A decisão foi tomada por unanimidade. Nove médicos participaram da reunião.

O presidente informou ainda que os médicos recusaram a proposta, pois a reivindicação era de um aumento de 100%, o que significa que os salários passariam de R$ 6.900 para R$ 13.500 por uma carga horária de oito horas. A proposta feita pela Prefeitura, e que foi recusada na última terça-feira (18), era de um reajuste de 50% que passaria o salário para R$ 10.350. Segundo o Executivo, essa foi a última negociação.
Na semana passada, o prefeito Moacir Ribeiro sugeriu enviar um projeto de lei à Câmara para reduzir a carga horária pela metade: de oito horas por dia para quatro horas. O salário desses profissionais seria reduzido na mesma proporção, em 50%. Em cima desse novo salário a Prefeitura se dispôs a conceder 20% de aumento mais a revisão geral anual, concedida a todos os servidores. Essa proposta também foi rejeitada.

Pela proposta definitiva feita aos médicos, haveria um aumento de 25% em abril deste ano. Assim, o salário-base passaria de R$ 6.900 para R$ 8.625. Os outros 25% seriam concedidos em janeiro de 2015, chegando-se ao valor de R$ 10.350. Porém, os médicos pedem um aumento de 100%. "O que pedimos foi um aumento de 100% e a nossa proposta é que fosse algo imediato, por isso recusamos", disse o médico Ronan Rodrigues.

Médicos denunciam condições precárias de postos
(Foto: Ednaldo Durço/Arqivo Pessoal)

Denúncias
Em fevereiro os médicos fizeram uma denúncia no plenário da Câmara Municipal da cidade e reuniram fotos para provar as condições precárias no atendimento em algumas Unidades Básicas de Saúde (UBS). As imagens revelavam paredes mofadas, portas sem fechaduras, falta de materiais como curativos, lixeiras e até papel descartável para cobrir as macas.

Na época, a Secretaria de Saúde informou que os médicos sempre enfrentaram dificuldades e a motivação pode ter ocorrido devido a uma determinação do Ministério da Saúde para que eles cumprissem oito horas diárias de trabalho.


Anna Lúcia Silva
G1 Centro-Oeste de Minas

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