Prefeitura cancela eventos por causa da falta de água em Pará de Minas

A Prefeitura de Pará de Minas emitiu nota nesta quarta-feira (23) informando a suspensão de eventos tradicionais na cidade por conta da falta d'água na cidade.

"A crise da falta de água que assola Pará de Minas continua e a Prefeitura Municipal vem tomando medida em respeito e solidariedade à população, que em alguns bairros têm ficado até 10 dias sem água", diz um trecho do comunicado.

Segundo a prefeitura, foram cancelados o Forró do Pará, que seria realizado no último fim de semana, na Praça Torquato de Almeida, além do Encontro Nacional de Motos Hot Cycles Moto Rock 2014, previsto para acontecer entre os dias 8 e 10 de agosto. A Festa Estadual do Frango e do Suíno, programada ser realizada entre 18 e 21 de setembro também foi suspensa. O aniversário da cidade também deve ser festejado com "ações bem mais tímidas".

Problema
A crise no abastecimento de água em Pará de Minas sofreu intervenção do Ministério Público, que determinou que a Prefeitura e a Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) mantenham o fornecimento de água diariamente. O órgão emitiu uma liminar com prazo de 10 dias para a solução do problema na cidade. O Executivo informou que pediu suspensão da liminar, pois não há água no município. Já a Copasa diz que tratará sobre o assunto na Justiça.

"Estamos pedindo suspensão da medida ao Ministério Público, pois não tem água em Pará de Minas. Não adianta enrolar a população e dizer que depois dessa liminar o abastecimento será retomado", disse o prefeito Antônio Júlio.

A situação chegou ao ponto que os moradores estão tendo que buscar água nas minas. Segundo a Prefeitura, está aberto o edital para contratar uma empresa de abastecimento e tratamento de água na cidade. A Copasa informou que permanece em Pará de Minas com o compromisso de tentar solucionar os problemas de água e o interesse em permanecer no município, porém, não participa de licitações. Ainda segundo a Copasa, os investimentos a longo prazo só serão feitos se o contrato for renovado.

As cenas de pessoas com baldes de água nas mãos não são comuns para muita gente, mas já fazem parte da rotina dos moradores de Pará de Minas. "Todos os dias eu busco água, não tem outro jeito. Já vai para nove dias que não tem água na minha casa e a que busco serve para o banho, para tomar e para fazer comida", relatou a auxiliar de serviços gerais Graziele Martins.

Na estação de tratamento chegam 60 litros de água por segundo, contra os 240 que chegavam antes.

Força-tarefa
De acordo com a Prefeitura, quatro caminhões-pipa de 20 mil litros cada são colocados à disposição da população a fim de amenizar as dificuldades com a falta de água. Mais dois caminhões de 10 mil litros cada estão previstos para chegarem ao município na sexta-feira (25), com o objetivo de atender as casas com doentes. Ainda segundo a Prefeitura, cerca de 400 residências foram cadastradas pelas equipes do Programa Saúde da Família (PSF).

Em nota, a Prefeitura de Pará de Minas afirma que dois poços artesianos serão colocados à disposição da população. “Colocamos em funcionamento um poço artesiano na Rua Raquel Ferreira, no Bairro Raquel e até sexta-feira entra em funcionamento um chafariz na Rua Padre Zanor, no Bairro Dom Bosco. Estes locais, após análises, contam com água de boa qualidade para o uso de toda a população. Outro chafariz, atrás do Campo do Paraense, também estará disponível em breve”, indica declaração do prefeito Antônio Júlio, presente na nota.

Medidas alternativas
Meses depois de ser decretada calamidade pública por falta de água em Pará de Minas, a cidade continua vivendo com os problemas no abastecimento. O período de estiagem e a falta de chuva no início do ano agravaram ainda mais a situação no município. Enquanto a situação não é solucionada, moradores têm adotado medidas para minimizar os efeitos da falta de água, como comprar, armazenar ou então buscar água em minas.

A dona de casa Tatiana Mara é moradora do Bairro Santos Dumont, localizado em uma parte alta da cidade. Segundo ela, o local já ficou sem receber água por até cinco dias. “Para beber e fazer comida a solução foi comprar agua mineral. Quando a água chega, muitas vezes está suja e a que aparenta estar limpa logo armazenamos em um tambor para ter nos dias sem abastecimento”, relatou.

Quem também sofre com a falta d’água são os restaurantes no município. Mariana Silva Souza é gerente em um bar e pizzaria no Bairro Patafufu. De acordo com a gerente, ela mesma tomou medidas para minimizar temporariamente o problema. “Sempre faltou água aqui no bairro, mesmo antes dessa crise. Por isso nós mesmos perfuramos um poço para diminuir o problema. Precisamos de água para fazer a limpeza do espaço, da cozinha e para preparar os alimentos”, contou.

Ainda segundo Mariana, mesmo não sofrendo tanto com a falta de água, a situação a incomoda bastante. “É muito triste nós mesmos termos que buscar uma solução para ter água em casa, no trabalho e não quem de fato é responsável pelo abastecimento. Se hoje o meu bar está funcionando é por minha causa”, protestou.

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