A história do primeiro palhaço negro do Brasil, nascido em Pará de Minas foi apresentada pela primeira vez fora do país

Benjamim de Oliveira é apresentado na França

Hoje tem palhaçada? Tem, sim senhor!

A história de Benjamim de Oliveira, considerado o primeiro palhaço negro do Brasil continua “dando muito pano pra manga”...

Depois de já ter se tornado tema de canções, livros, roupas, e até mesmo enredo de escolas de samba, a história do saudoso palhaço nascido em Pará de Minas/MG, atravessou o oceano e foi parar no velho continente.

Isto porque, logo no início de 2017, mais precisamente entre os dias 24 e 29 de janeiro, o espetáculo “Benja”, dirigido pela dramaturga carioca Karen Acioly, já conhecida no teatro brasileiro e em atuações na TV, foi apresentado na França.

A performance que combina as tradições do circo, música e artes visuais ficou a cargo do grupo de teatro “Borogodó”, que desembarcou na cidade de Marseille, na França, onde se apresentaram entre diversos grupos e artistas franceses durante a “Biennale Internationale des Arts du Cirque”, e ali, fizeram 5 apresentações.

A apresentação que mesclou temas como o problema do racismo, ao mesmo tempo em confronto com a identidade e a busca pelos sonhos e desafios, foi um grande sucesso de critica e público, arrancando aplausos tanto do “respeitável público”, como da própria imprensa francesa, que elogiou o espetáculo brasileiro.

Nascido em Pará de Minas, Benjamim nunca negou suas raízes. Mesmo tendo saído muito novo de sua terra natal, com 12 anos de idade, quando fugiu com uma trupe de circo,o palhaço depois de alcançar a fama, sempre mencionava em suas entrevistas tanto em rádios como em jornais e revistas, que havia nascido em “Patafufo”, como era chamada a cidade naquela época.

Segundo a diretora do espetáculo, Karen Acioly, a oportunidade de levar “Benja” para a França veio logo quando houve a apresentação da primeira etapa da peça, que aconteceu há dois anos, no ano de 2015, durante o “FIL - Festival Internacional Intercâmbio de Linguagens”, que também é um evento realizado pela própria dramaturga.

Uma parceria foi feita através do festival brasileiro, o FIL, com a Biennale de Marseille, um evento francês especializado em artes circenses.

Mas em outubro do ano passado, isto foi confirmado através de realização da segunda etapa de “Benja”, quando foi apresentada em mais uma edição do FIL, no mês de outubro, no Rio de Janeiro. “Convidamos os artistas visuais Davi Bartex (cenografia e direção de arte) e Thomas Pachoud (teatro digital), para integrarem o processo criativo junto aos artistas brasileiros. A segunda etapa foi a de reescrevermos o segundo ato do espetáculo, considerando a inovação que Benjamim trouxe para dentro do circo”, explica Karen.

A dramaturga conta, que assim como aconteceu com ela, os artistas franceses de cara já se apaixonaram pela história do garoto filho de escravos que se tornou o “Rei do Palhaços” no Brasil, “Todos caímos de amores por “Benja”, ele transcende a diferença de nossas culturas”, destaca.

GRAND FINALE - A apresentação do espetáculo tupiniquim em terras francesas representou um grande momento para a artista, e claro, consequentemente para o teatro nacional, pois segundo ela, houve um verdadeiro intercâmbio de culturas, quando diferentes costumes e tradições foram entrelaçados em um único momento, “Isto representa nossa possibilidade de fazermos parte de outros mundos, outras culturas. Fizemos o “Benja”, com sucesso, em francês , mantendo as canções na nossa língua. Poderemos fazer em qualquer outra língua. é um espetáculo sem fronteiras”, ressalta.

Encantada com a aceitação dos franceses, a atriz voltou comovida e se sentindo realizada com o prestígio recebido, “A apresentação por lá foi super emocionante, tanto no subúrbio como na Bienal, onde tivemos aproximadamente 1.500 expectadores,  e vimos que as crianças francesas e suas famílias se aqueceram com a história do Benjamim. É encantador o alcance da história dele”, afirma.

Hoje, já no Brasil, a dramaturga relembra os momentos vividos e comemora mais esta etapa em sua carreira e para o teatro brasileiro, “Para mim, foi gratificante apresentar pela primeira vez fora do Brasil. É legal, porque percebemos que somos capazes de comover as pessoas mesmo fora de nossa terra e é muito bom ver elas interessadas na nossa história e na nossa cultura”, destaca.

CLAQUETE! - Agora só falta mesmo a história do primeiro palhaço negro do Brasil ir parar nas telas do cinema.

Para os amantes da sétima arte, a boa noticia é que existe um projeto para contar a história de “Benja” na grande tela. O filme será baseado no próprio espetáculo e deverá ser dirigido pela própria diretora da peça.

Além disso, este futuro longa nacional, assim como a peça, deverá ser fruto de uma parceria entre Brasil e França.

Por outro lado, a diretora afirma que ainda não há previsão para que o projeto saia do papel e comece a ser rodado, “O filme vai demorar um pouco. Qualquer dia desses há de sair. Mas está como o vinho... decantando” (risos), brinca.

Lembrando que Benjamim também desde sua carreira tem uma relação com o cinema. Além de ter sido o responsável pela criação do Circo-Teatro no Brasil, levando peças para o picadeiro, o palhaço também atuou em filmes, que foram produzidos na época.

Além disso, recentemente, no ano de 2011, o ator e diretor de cinema, Selton Mello revelou à imprensa, que depois de fazer uma pesquisa sobre o universo circense para a criação do roteiro de seu filme, decidiu fazer uma homenagem ao artista patafufo, dando o nome de Benjamim ao personagem que interpreta em “O Palhaço”, produção que ele próprio dirigiu.

DE VOLTA PARA SUA TERRA - Agora, depois de ter apresentado Benjamim para o velho mundo, a intenção é percorrer diversas cidades brasileiras para que seu próprio país cada vez mais conheça a história deste grande artista. E claro, ela não descarta a possibilidade e, sobretudo, a vontade de levar o espetáculo para a própria terra natal de “Benja”, “A intenção agora é captar recursos e apresentar em várias cidades brasileiras, já que agora fomos testados e aprovados em Marseille. Tenho vontade de apresentar o “Benja” em todos os lugares. Ele é para toda vida, e tomara que a gente consiga chegar em Pará de Minas”, finaliza a artista. 

Por Lafayette Teixeira

Fotos: Andrea Nestrea
 

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