Baleia Azul: Game Over para esse jogo

 

Na dinâmica do jogo “Baleia Azul”, adolescentes são convocados para participarem de grupos fechados do Facebook e WhatsApp. O jogo consiste no cumprimento de 50 desafios preestabelecidos por curadores que normalmente também são adolescentes com perfis falsos nas redes sociais. Entre as tarefas incluem-se mutilar os braços com facas, assistir filmes de terror na madrugada e, no desafio final, cometer suicídio.

Atitudes de adolescentes que podem estar relacionadas com o jogo: mutilações na palma da mão; furos nas mãos feitos com agulhas; mutilações nos braços – cortes grandes com desenhos de baleia ou qualquer outro animal; cortes nos lábios; assistir filmes de terror/psicodélicos com frequência; desenhos de baleia; posts em redes sociais com os dizeres “#i_am_whale” (“Eu sou uma Baleia”); sair de casa em horários estranhos – madrugada principalmente; arranjar brigas e evitar conversas longas.

O que fazer para lidar com a situação: não tenha medo de falar, perguntar e mostrar que se importa; seja franco e direto; conversar gera alívio e, mesmo que o jovem recuse num primeiro momento, insista; caso seja necessário, busque a ajuda especializada de um psicólogo ou psiquiatra. Além dessas ações, se você perceber algum amigo postando fotos e mensagens estranhas nas redes sociais, talvez ele esteja jogando o “Baleia Azul”. Não ignore, denuncie! O próprio Facebook possui ferramentas de denúncia.

Caso você tenha acesso às conversas trocadas entre mentor e jogador, você poderá comparecer a um cartório de notas, onde será lavrada uma ata notarial, dando fé pública ao conteúdo das mensagens (essa ata será importante fonte de prova caso as mensagens sejam apagadas).

O Centro de Valorização da Vida (CVV), do Governo Federal, recomenda que pessoas em situações de vulnerabilidade e que possam se matar sejam orientadas a buscar ajuda. Por meio do CVV, voluntários ficam disponíveis 24h para atender ligações. É importante saber que eles são capacitados para ter uma escuta respeitosa e ajudar a quem pensa ou costuma pensar em tirar a própria vida. O número é o 141.

A conduta dos mentores do “Baleia Azul” é criminosa. Induzir (criar a ideia de suicídio em alguém), instigar (incentivar alguém que já estava pensando em suicídio) ou auxiliar (ajudar materialmente o suicida) o suicídio de outra pessoa é crime, de acordo com o artigo 122, do Código Penal, com pena de 02 a 06 anos de prisão caso o suicídio se consuma ou de 01 a 03 anos de prisão caso a tentativa de suicídio resulte em lesão corporal grave. Caso os mentores do jogo sejam menores de idade, as condutas criminosas tratar-se-ão de ato infracional e são sujeitas às penalidades instituídas pelo Estatuto da Criança e do Adolescente. A indenização cível deverá ser paga pelos seus responsáveis legais.

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